Poucos sabem, mas a General Motors já desenvolveu com parceria tecnológica européia (ASEA - Allmänna Svenska Elektriska Aktiebolaget - Suécia) projetos de locomotivas elétricas.
Com a crise do petróleo, em 1973, este foi um segmento que apontava para uma alternativa de mercado. A eletrificação ferroviária é uma realidade no segmento em diversos países há quase um século, porém, salvo na rede européia (com maior utilização genérica ( cargueiros e trens de passageiros regionais) passou a ser cada vez mais utilizada para atender a sistemas de alta velocidade, metropolitanos e de transporte de massa.
O perfil heavy haul para eletrificação (transporte de carga de alta tonelagem) exige projetos mais específicos e caros e com resultados relativamente limitados.
O modelo acima, conhecido como GM6C, exibia a qualidade de operar em sistema c.a. de 25Kv, com uma potência de 6.000 hp (!). De fato, locomotivas elétricas possuem desempenhos de potência elevados, porém o quesito sobre peso aderente é um fator importante.
Desenvolvida e apresentada nos anos 70, ao que parece apenas dois protótipos foram feitos (1975 e 1976), respectivamente, com truque C-C (GM6C) e com arranjo B-B-B (GM10B) ( para 10.000 hp (!))
Seu desenho é bem interessante e seguem em similaridade, sob diversos aspectos estéticos (cabine e máscaras frontais principalmente), os modelos diesel-elétricos que foram desenvolvidos para as ferrovias brasileiras, pela GM EUA (foto - acervo Thomas Corrêa), MACOSA (licenciada GM na Espanha) e Equipamentos Villares ( licenciada GM no Brasil).
Tudo leva a indicar que os modelos não passaram de uso em testes operacionais. Não há registro conhecido de séries fabricadas ou encomendas para ferrovias americanas ou para exportação. Talvez a CONRAIL (EUA) tenha ficado com os protótipos.
Do ponto de vista de estratégia e de produto, o associativismo da marca GENERAL MOTORS (notabilizada no mercado de locomotivas diesel-elétricas) com o novo produto, pode ter gerado um ruído de conceito no segmento, potencialmente contribuinte com possíveis resultados inesperados sobre o projeto perante o mercado.
O princípio da sinergia e identidade do produto com sua assinatura e percepção semântica é algo que não se pode ignorar. Uma vez associado a partir de exemplos bem sucedidos, costuma ser "um caminho sem volta", ou seja, cria-se o que se pode chamar de estigma do produto e da marca. Para retrabalhar isto, exige-se uma abordagem de mercado que costuma consumir muitos recursos e tempo.
A General Motors se notabilizou pelos projetos no segmento de locomotivas diesel-elétricas por décadas e esta era a sua identidade associada à marca neste setor. Dar ao modelo GM6C a designação "ELECTRO-MOTIVE" (fortemente associada justamente à divisão GM para locomotivas DIESEL, apesar do nome "Electro" (EMD - ELECTRO-MOTIVE DIVISION)) não parece ter sido, afinal, uma boa estratégia, se e somente se a proposta era trazer uma nova identidade de negócios, emprestando a excelência "GM Locomotives" presente desde os anos 30, mas em outra porta.
A GM manteve a sua participação tecnológica em outros modelos desenvolvidos do gênero, mas percebeu rapidamente a questão e focalizou melhor a sua identidade, avaliando mais cuidadosamente o enfoque de sua marca.




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