Estudos - Geração de Alternativas - Original (acima) e com as correções de assinatura (abaixo) que jamais foram levadas adiante.(matrizes de desenho do vagão: Joshua Moldover (USA)).
Durante o desenvolvimento do processo de definição - pelo briefing - do modelo de padrão que melhor representasse os objetivos da Rumo para seus ativos ferroviários, um "insight" foi objeto de apreciação e aplicação para estudos no protótipo do vagão hopper desenvolvido pela Amsted-Maxion e oferecido em teste. Um primeiro e único vagão foi preparado antes dos "cabeça-de- série" para tais estudos.
O layout apresentado neste post foi aprovado de pleno êxito pela Rumo e após a sua aplicação, estudos revisores foram realizados para a sua viabilidade na linha de produção.
O resultado deste modelo seguiu uma certa complexidade, embora tenha sido obtido a partir de um momento definido e reconhecido no metiê do design, não raro e cientificamente reconhecido
O "insight", ou inspiração, advém de um processo em que a busca por uma solução, focada a mente no ou num problema e, sobre ele, a convergência das informações associadas para a obtenção de um resultado, nem sempre ocorre em momentos de concentração. Aliás, é a mente cansada capaz de não somente nada produzir, como ainda potencialmente distorcer muito do que se produziu nas etapas anteriores de qualquer análise metodológica.
No momento em que a mente se desliga do problema, na pausa de um descanso ou simplesmente nalgum devaneio, as amarras conscientes se desfazem, ou seja, o pensamento volta a ser o limite.
Não se trata de "milagre". O insight é um fenômeno consistente proporcionalmente em razão do repertório de informações que se estabelece no contexto de qualquer análise de informações para o desenvolvimento de projeto.
Retornava para a minha residência quando em um momento de relaxamento, embora tomado da preocupação sobre uma resposta visual que reunisse as expectativas do cliente, parti para uma percepção diferenciada do modelo em torno do qual insistia no briefing e, de repente, ocorreu-me o contexto que agora partilho com os meus leitores.
Sem qualquer dúvida, munido de um pequeno pedaço de papel e um simples lápis escolar de minha filha (longe da mesa de desenho & programas), debrucei-me na idéia visualizada e parti para o meu escritório, aonde finalizei madrugada adentro, o desenho em questão.
Com esta resposta, apresentei à apreciação do cliente que, de pronto, reconheceu na proposta o que efetivamente desejavam ou esperavam. Nascia assim o layout protótipo da Rumo, com forte perspectiva de se tornar definitivo, inclusive com desdobramentos para as locomotivas.
Na fábrica da Amsted-Maxion, em Hortolândia, SP, o vagão já estava finalizado na linha de produção para receber o padrão. Ao final do processo, ele foi apresentado ao cliente, contudo, diante do resultado fabril, algumas questões foram anotadas e consideradas e que resultaram em novo estudo.
O valor semiótico da proposta prototipada foi um dos elementos mais fortes e presentes neste modelo. O nome "Rumo" foi posicionado conforme vemos, indicando uma identidade de acensão, de crescimento, percorrendo um "caminho de sucesso". Foi interessante que funcionários da fábrica, em diversos níveis, perceberam esta imagem, o que lhes comunicou em tradução imediata. As áreas maiores em azul pantone 640, permitiriam a identidade cromática predominante desta cor na legibilidade do layout. E a inserção da frase "energia para a vida" que simboliza a essência de significado do cliente em seu negócio, mas depois determinado pelo mesmo cliente que esta frase não representava um slogan no sentido literal, mas uma essência e sua identidade junto ao segmento que atua (bioenergia).
Mas algumas correções foram realizadas em modificação e por uma razão bem simples.
Um documento resumido do manual de identidade visual e gráfica da Cosan / Rumo e sobre o qual a disponibilidade foi a única conhecida e cedida durante o processo de desenvolvimento, não trazia todos os elementos informativos referentes a permissão de uso das variações de assinatura e uma delas, apontada no documento completo, depois recebido, justamente fundamentava a assinatura com "fundo branco" como objeto de veto visual.
Outro detalhe não determinado, mas tácito para a empresa, foi o uso do nome "Rumo" acomodado em uma inclinação de 15 graus, o que, de certa forma, alterava igualmente a orientação de sua logomarca em seu eixo. Dado o fato de que se trata de uma assinatura composta -logomarca e logotipia associadas em uma mesma peça visual- as limitações se impõem.
E, ainda, a inseção de elementos curvilíneos, indo de encontro com um dos fatores de legibilidade da marca empresarial dominante (Cosan).
Ainda que a Rumo tivesse a prerrogativa de definir o seu layout, mister observar que sua ligação com a Cosan representava (e representa) um contexto corporativo e empresarial hierarquicamente definido e assim as observações da Cosan não somente foram observadas como prontamente respeitadas e acatadas, sem, contudo, perda da autoridade de formação de imagem que a Rumo desejava inserir em seus ativos ferroviários e como efetivamente o fez.
Destarte, o retorno à prancheta foi inevitável e assim um novo padrão, seguindo o que podemos considerar como o equivalente a um aditamento de dados sobre o briefing original, foi necessário, resultando após uma nova série de estudos, no layout que protagoniza o modelo existente.
Esta experiência ofereceu uma dimensão real da importância sobre a necessidade de que todos os elementos de informação sejam corretamente repassados para o desenhista industrial, que, a rigor, está diante dos dados que seu cliente lhe repassa e embora o resultado tenha sido logrado de aprovação por parte do cliente mediato (Rumo). A verificação dos elementos de assinatura sempre tem primazia sobre o protagonismo da proposta. Marca e assinatura de uma empresa são elementos inegociáveis.
Com os novos dados e a solicitação do cliente para um novo estudo, o resultado foi obtido pelo que hoje representa formalmente o padrão de pintura dos ativos ferroviários da Rumo, os quais, esperamos, tenham uma vida útil longa.
Mas é interessante observar que o protótipo, com a pintura original existe e foi preservado em operação, sendo rigorosamente o único. Ele não voltou para ser repintado ou trazido para o padrão vigente. Eventualmente pode ser visto ou flagrado em composições ferroviárias, tornando-se assim a "mosca branca" dentre os ativos ferroviários da Rumo e cujo apelido, sugestivo, logo se impôs: the soap box!
Fosse mantido, as correções de legibilidade teriam sido processadas, conforme vemos nos estudos acima.
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